quinta-feira, 1 de maio de 2008

Eu, o Alien e o Predador...

Na última páscoa tive uma conversa típica com meus amigos que são fascinados, como eu, pela cultura pop japonesa. Uma conversa não seria a palavra certa, o ideal seria uma argumentação. Discutíamos quem venceria quem num confronto. Isso aos vinte e tantos anos. Desde os meus dez anos que tenho esse tipo de conversa. A primeira foi sobre quem venceria num duelo entre os heróis da DC Comics e os da Marvel. Naquele tempo defendi com unhas, dedos, mãos, braços e pernas os da Marvel. Nunca gostei muito de heróis paladinos, são uns tipinhos certinhos e no máximo atormentados. Eles não aproveitam o lado bom da vida. Não bebem, não jogam, não dizem o que supostamente não devem, salvo uma ou outra exceção.

Super homem

Em resumo, muito bonzinhos, não possuem charme, nem apelo humano. Também confrontávamos muito os jogos Street Fighter e Mortal Combat. Sempre preferi o primeiro e sempre jogava com Chun Li. Talvez a minha queda pelo oriente tenha começado ai. Na última discussão bizantina, o foco eram os animes. Eu, como sempre, defendi Cavaleiros do Zodíaco e escutei um “não me venha com seu antigo amor por Hyoga, o ‘pó de diamante’ dele não seria pário para...”. Só de pensar nessas conversas sem muito bom-senso dá vontade de rir. Sinto falta delas, de falar bobagem com ar de quem está discutindo física quântica. E estava exatamente pensando nisso quando ao trocar de canal deparei-me com Alien vs. Predador.


Cavaleiros do Zodíaco


Quando esse filme foi lançado eu estava no meu auge pseudo-intelectual, acabei preferindo não ver. “Que bobagem!” pensei, não vou perder o meu tempo. Continuei escutando muito jazz da décade de 50 - O auge! -, usando fervorosamente minha camisa de Nina Simone (estava estampado que eu tinha um gosto mais apurado, o que, de alguma forma, me fazia especial por ser parte de um grupo seleto), ia em sessions de jazz em salas de arte. Até minha cachorrinha chama-se Billie, de Billie Holiday.


Billie Holiday

Dessa vez, frescuras aparte, resolvi ver. Até decidi "Se a criança dentro de mim gostar, vou ver o Alien vs. Predador 2". Eu, claro, comecei a assistir o filme torcendo para o Alien derrotar o Predador. O Alien é um ser estratégico e preciso na crueldade de perpetuar a sua espécie. O Predador também é estratégico, porém parece no seu longa matar mais por prazer do que qualqur outra coisa, como se fosse o lado ruim do ser humano acentuado. Porém admito, adoro os dreads dele e acredito secretamente que a máscara que usa foi inspirada na de Darth Vader.


Tenente Ripley
No finalzinho da minha infância e inicinho da adolescência a tenente Ripley era tudo que eu queria ser quando crescesse. Forte, decidida, inteligente, de uma beleza real, não idealizada. Ainda quero ser como ela quando eu crescer. Ainda me sinto como aquela garota que viu todos os filmes de Alien em alguns momentos.
Não esperava nenhuma obra prima. Esperava ver lutas homéricas, muita gosma e sangue. Minhas expectativas não foram correspondidas. Logicamente, ser humano por ser humano foi exterminado, como em todo filme desse tipo. Porém eu esperava que, mesmo sendo uma raça menos evoluída (segundo o filme), os humanos derrotassem os dois ou o que sobrevivesse ao confronto, mesmo implodindo as pirâmides onde o filme se passa. Não! Não pude acreditar que a única pessoa que sobrou, uma imitação paraguaia da estimada tenente, aliou-se a um dos lados dizendo “O inimigo do meu inimigo é meu amigo”. Fala até filosófica. Pena que a filosofia foi para finalizar mais facilmente o roteiro. Também fiquei decepcionada com os Aliens do filme, foram retratados como bestas irracionais, muito aquém dos seres que eram nos seus longas.
Poster de Alien vs Predador 2
Vi o filme dublado, o que pode ter influenciado, já que os Aliens eram chamados de cobras. Cobras?! Cobras?! Inacreditável! Dublados os filmes perdem parte da sua essência e brilho. Os diálogos não são os que estavam no script. A forma de falar do personagem que um ator pode levar meses para compor, junto com os outros aspectos e sob a visão do diretor, é perdida. Não tenho a menor vontade de ver o Alien vs Predador 2. Até porque as seqüências costumam ser filmes piores e o primeiro já foi sofrível. Só vi até o final porque não deixo filmes que nunca vi pela metade. Sou assombrada pelo que poderia ter sido o final, por uma possível reviravolta, por mais improvável que ela seja.

Decoração na loja de festas!

O bom de morar longe da família, como tantos universitários, fora as festas e a liberdade de fazer o que bem se entende, que acaba sendo lavar as roupas no domingo, é poder decorar o local que se mora comobem se deseja, sem ninguém para apontar a sua possível esquizofrenia. Posso ter reproduções de obras de arte, como um Pollock e um Schiele, no móbile posto na sala como lustre. Logo em frente, ter um quadro de Bela Lugosi como drácula. Além de um sofá verde periquito e uma cabeça de abóbora de Haloween. Tudo muito "cult". Por esses dias - O dia exato não lembro. É pedir demais para quem nunca teve muita noção de tempo. - ao me separar de alguns colegas da faculdade, que estavam em busca de uma estante de ferro colorida no centro, vi uma lojinha de material para festa, pequenina e abarratoda de quinquilharias. Lembrei da casa de um amigo que tem uma mulher maravilha.



Mulher Maravilha
Feita para aniversários, ela está fixada como cabeceira. Linda, poderosa, dominando a parede e de papelão. Lembrei da cena de Transpotting - Sem limites (preciso indicar esse filme! mais para frente... mais para frente...) na boate em que aparece pintado na parece o personagem de Bruce Willis em Duro de Matar ameaçador, porém charmoso, com a sua arma, seu sobre-tudo e o seu coldre. Assim, entrei na loja em busca de algo interessante, ao fundo, perto da porta, tinha uma mesa e logo atrás estava uma senhora, cabelos pintados de acaju, óculos para vista cansada pendurado ao pescoço seguro por uma correntinha.

Junto a mesa tinha uma pilha de kits para decorar festa com posteres. Como era a única cliente na loja, possivelmente em muitas horas, talvez dias pelo entusiasmo com o qual fui recebida. A mulher levantou-se e veio ajudar-me a olhar os kits. Parecia excessivamente feliz pela minha presença. Revelou-se dona da loja. Conversando por educação percebi que ela deve ter menos idade do que aparentava. A vida não é boa para todos, nem a genética. Ela se empenhou em encontrar algo para me agradar. Tanto esforço e aquele certo ar de desespero, mascarados por sorrisos, fez-me confirmar: Sorrir não quer dizer que você está feliz, apenas significa que deseja que a outra pessoa continue o que quer que esteja fazendo ou dizendo.

Perto do final da pilha já estava desanimada, apenas as coisas de sempre. Personagens da Disney, pirata genérico imitando Piratas do Caribe, até Moranguinho semi-original. Mas não havia nada de interessante. Quando já estava para desisti vi o poster de Dragon Ball. Nunca fui muito fã. Nem conheço tanto a versão Z. Gostava do primeiro Dragon Ball, de quando Goku era criança. Até porque existe uma lenda de um menino meio macaco puro de coração que voa numa nuvem dourada no Japão. Descobri quando li Musashi (mais a indicar futuramente!).



Goku no primeiro Dragon Ball

Aquele pôster de Dragon Ball Z trouxe-me recordações. Pensei no congresso sobre cultura pop japonesa que fui há uns anos. Onde conheci tantas pessoas interessantes e fora do comum. Por um tempo reuni-me com elas aos sábados. Pensei num cara que eu fui afim que adorava Dragon Ball Z. Ele revelou-se com pouco caráter, mas foi intenso enquanto durou. Pensei em quando estava tentando influenciar positivamente meus primos menores com o gosto pela leitura e dava mangás de Dragon Ball para começarem ler e criar o hábito. Várias lembranças passaram rapidamente pela minha mente. Comprei o kit.



Gohan

O poster de Dragon Ball Z está fixado no meu quarto, perpendicular ao quadro de Arquivo X. Gohan como supersaiyajin está afixado sobre o meu sofá, a cor das calças dele combinam com a do sofá e os cabelos loiros formam uma composição harmonica com uns porta-retratos amarelos e infláveis. Preferia Vedita (Vegeta, aparentemente, é assim que escreve e Gohan significa arroz cozido em japonês!). Adoro a forma dele de dizer: "Eu sou o príncipe dos Saiyajins". Cheio de si.


Vedita

Ele é um personagem complexo, um anti-herói, em meio a tantos planos. Ele sente inveja, esforça-se para superar o protagonista (Goku) por acreditar que por carregar o legado da sua civilização, por ser da realeza supostamente representa o que há de melhor. Entre tanto a roupa azul que veste não combina com as cores da minha decoração, que por mais desléxica que possa parecer aos outros, para mim possui uma lógica. Com o monte de personagens que sobraram ainda não sei bem oque vou fazer. Alguns dei aos amigos, mas sobraram vários. Será que encontro um kit desses de cavaleiros do zodiaco?!! Ou quem sabe de Smurfs?!! Duvido, mas a dúvida não me impede de pensar em ir em outras lojas de material para festa em busca. Então recomendo as lojas de festa para dar aquele toque de excentricidade na casa. Não importa se é algo teoricamente infantil se é representativo para você.


Curiosidade: Como fazer um bom gohan - http://www.culturajaponesa.com.br/htm/gohan.html