quinta-feira, 1 de maio de 2008

Decoração na loja de festas!

O bom de morar longe da família, como tantos universitários, fora as festas e a liberdade de fazer o que bem se entende, que acaba sendo lavar as roupas no domingo, é poder decorar o local que se mora comobem se deseja, sem ninguém para apontar a sua possível esquizofrenia. Posso ter reproduções de obras de arte, como um Pollock e um Schiele, no móbile posto na sala como lustre. Logo em frente, ter um quadro de Bela Lugosi como drácula. Além de um sofá verde periquito e uma cabeça de abóbora de Haloween. Tudo muito "cult". Por esses dias - O dia exato não lembro. É pedir demais para quem nunca teve muita noção de tempo. - ao me separar de alguns colegas da faculdade, que estavam em busca de uma estante de ferro colorida no centro, vi uma lojinha de material para festa, pequenina e abarratoda de quinquilharias. Lembrei da casa de um amigo que tem uma mulher maravilha.



Mulher Maravilha
Feita para aniversários, ela está fixada como cabeceira. Linda, poderosa, dominando a parede e de papelão. Lembrei da cena de Transpotting - Sem limites (preciso indicar esse filme! mais para frente... mais para frente...) na boate em que aparece pintado na parece o personagem de Bruce Willis em Duro de Matar ameaçador, porém charmoso, com a sua arma, seu sobre-tudo e o seu coldre. Assim, entrei na loja em busca de algo interessante, ao fundo, perto da porta, tinha uma mesa e logo atrás estava uma senhora, cabelos pintados de acaju, óculos para vista cansada pendurado ao pescoço seguro por uma correntinha.

Junto a mesa tinha uma pilha de kits para decorar festa com posteres. Como era a única cliente na loja, possivelmente em muitas horas, talvez dias pelo entusiasmo com o qual fui recebida. A mulher levantou-se e veio ajudar-me a olhar os kits. Parecia excessivamente feliz pela minha presença. Revelou-se dona da loja. Conversando por educação percebi que ela deve ter menos idade do que aparentava. A vida não é boa para todos, nem a genética. Ela se empenhou em encontrar algo para me agradar. Tanto esforço e aquele certo ar de desespero, mascarados por sorrisos, fez-me confirmar: Sorrir não quer dizer que você está feliz, apenas significa que deseja que a outra pessoa continue o que quer que esteja fazendo ou dizendo.

Perto do final da pilha já estava desanimada, apenas as coisas de sempre. Personagens da Disney, pirata genérico imitando Piratas do Caribe, até Moranguinho semi-original. Mas não havia nada de interessante. Quando já estava para desisti vi o poster de Dragon Ball. Nunca fui muito fã. Nem conheço tanto a versão Z. Gostava do primeiro Dragon Ball, de quando Goku era criança. Até porque existe uma lenda de um menino meio macaco puro de coração que voa numa nuvem dourada no Japão. Descobri quando li Musashi (mais a indicar futuramente!).



Goku no primeiro Dragon Ball

Aquele pôster de Dragon Ball Z trouxe-me recordações. Pensei no congresso sobre cultura pop japonesa que fui há uns anos. Onde conheci tantas pessoas interessantes e fora do comum. Por um tempo reuni-me com elas aos sábados. Pensei num cara que eu fui afim que adorava Dragon Ball Z. Ele revelou-se com pouco caráter, mas foi intenso enquanto durou. Pensei em quando estava tentando influenciar positivamente meus primos menores com o gosto pela leitura e dava mangás de Dragon Ball para começarem ler e criar o hábito. Várias lembranças passaram rapidamente pela minha mente. Comprei o kit.



Gohan

O poster de Dragon Ball Z está fixado no meu quarto, perpendicular ao quadro de Arquivo X. Gohan como supersaiyajin está afixado sobre o meu sofá, a cor das calças dele combinam com a do sofá e os cabelos loiros formam uma composição harmonica com uns porta-retratos amarelos e infláveis. Preferia Vedita (Vegeta, aparentemente, é assim que escreve e Gohan significa arroz cozido em japonês!). Adoro a forma dele de dizer: "Eu sou o príncipe dos Saiyajins". Cheio de si.


Vedita

Ele é um personagem complexo, um anti-herói, em meio a tantos planos. Ele sente inveja, esforça-se para superar o protagonista (Goku) por acreditar que por carregar o legado da sua civilização, por ser da realeza supostamente representa o que há de melhor. Entre tanto a roupa azul que veste não combina com as cores da minha decoração, que por mais desléxica que possa parecer aos outros, para mim possui uma lógica. Com o monte de personagens que sobraram ainda não sei bem oque vou fazer. Alguns dei aos amigos, mas sobraram vários. Será que encontro um kit desses de cavaleiros do zodiaco?!! Ou quem sabe de Smurfs?!! Duvido, mas a dúvida não me impede de pensar em ir em outras lojas de material para festa em busca. Então recomendo as lojas de festa para dar aquele toque de excentricidade na casa. Não importa se é algo teoricamente infantil se é representativo para você.


Curiosidade: Como fazer um bom gohan - http://www.culturajaponesa.com.br/htm/gohan.html

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