Na última páscoa tive uma conversa típica com meus amigos que são fascinados, como eu, pela cultura pop japonesa. Uma conversa não seria a palavra certa, o ideal seria uma argumentação. Discutíamos quem venceria quem num confronto. Isso aos vinte e tantos anos. Desde os meus dez anos que tenho esse tipo de conversa. A primeira foi sobre quem venceria num duelo entre os heróis da DC Comics e os da Marvel. Naquele tempo defendi com unhas, dedos, mãos, braços e pernas os da Marvel. Nunca gostei muito de heróis paladinos, são uns tipinhos certinhos e no máximo atormentados. Eles não aproveitam o lado bom da vida. Não bebem, não jogam, não dizem o que supostamente não devem, salvo uma ou outra exceção.
Super homem
Em resumo, muito bonzinhos, não possuem charme, nem apelo humano. Também confrontávamos muito os jogos Street Fighter e Mortal Combat. Sempre preferi o primeiro e sempre jogava com Chun Li. Talvez a minha queda pelo oriente tenha começado ai. Na última discussão bizantina, o foco eram os animes. Eu, como sempre, defendi Cavaleiros do Zodíaco e escutei um “não me venha com seu antigo amor por Hyoga, o ‘pó de diamante’ dele não seria pário para...”. Só de pensar nessas conversas sem muito bom-senso dá vontade de rir. Sinto falta delas, de falar bobagem com ar de quem está discutindo física quântica. E estava exatamente pensando nisso quando ao trocar de canal deparei-me com Alien vs. Predador.

Cavaleiros do Zodíaco
Quando esse filme foi lançado eu estava no meu auge pseudo-intelectual, acabei preferindo não ver. “Que bobagem!” pensei, não vou perder o meu tempo. Continuei escutando muito jazz da décade de 50 - O auge! -, usando fervorosamente minha camisa de Nina Simone (estava estampado que eu tinha um gosto mais apurado, o que, de alguma forma, me fazia especial por ser parte de um grupo seleto), ia em sessions de jazz em salas de arte. Até minha cachorrinha chama-se Billie, de Billie Holiday.

Billie Holiday
Dessa vez, frescuras aparte, resolvi ver. Até decidi "Se a criança dentro de mim gostar, vou ver o Alien vs. Predador 2". Eu, claro, comecei a assistir o filme torcendo para o Alien derrotar o Predador. O Alien é um ser estratégico e preciso na crueldade de perpetuar a sua espécie. O Predador também é estratégico, porém parece no seu longa matar mais por prazer do que qualqur outra coisa, como se fosse o lado ruim do ser humano acentuado. Porém admito, adoro os dreads dele e acredito secretamente que a máscara que usa foi inspirada na de Darth Vader.

Tenente Ripley
No finalzinho da minha infância e inicinho da adolescência a tenente Ripley era tudo que eu queria ser quando crescesse. Forte, decidida, inteligente, de uma beleza real, não idealizada. Ainda quero ser como ela quando eu crescer. Ainda me sinto como aquela garota que viu todos os filmes de Alien em alguns momentos.
Não esperava nenhuma obra prima. Esperava ver lutas homéricas, muita gosma e sangue. Minhas expectativas não foram correspondidas. Logicamente, ser humano por ser humano foi exterminado, como em todo filme desse tipo. Porém eu esperava que, mesmo sendo uma raça menos evoluída (segundo o filme), os humanos derrotassem os dois ou o que sobrevivesse ao confronto, mesmo implodindo as pirâmides onde o filme se passa. Não! Não pude acreditar que a única pessoa que sobrou, uma imitação paraguaia da estimada tenente, aliou-se a um dos lados dizendo “O inimigo do meu inimigo é meu amigo”. Fala até filosófica. Pena que a filosofia foi para finalizar mais facilmente o roteiro. Também fiquei decepcionada com os Aliens do filme, foram retratados como bestas irracionais, muito aquém dos seres que eram nos seus longas.

Poster de Alien vs Predador 2
Vi o filme dublado, o que pode ter influenciado, já que os Aliens eram chamados de cobras. Cobras?! Cobras?! Inacreditável! Dublados os filmes perdem parte da sua essência e brilho. Os diálogos não são os que estavam no script. A forma de falar do personagem que um ator pode levar meses para compor, junto com os outros aspectos e sob a visão do diretor, é perdida. Não tenho a menor vontade de ver o Alien vs Predador 2. Até porque as seqüências costumam ser filmes piores e o primeiro já foi sofrível. Só vi até o final porque não deixo filmes que nunca vi pela metade. Sou assombrada pelo que poderia ter sido o final, por uma possível reviravolta, por mais improvável que ela seja.